Chutando a homofobia para fora do jogo

E depois da correria para a “janela de contratação” onde  milhões foram gastos comprando e vendendo jogadores, uma casa de apostas do Reino Unido lançou a campanha para chutar a homofobia para fora de campo do futebol.

Usando o excelente humor dos jogadores do Arsenal, a campanha levanta um assunto sério que precisa ser discutido e acima de tudo assumido.

Mostre seu suporte! (Para o vídeo com legendas em Português, clique aqui)

Rivais doam dinheiro para torcedores irem a jogo

Em primeiro lugar, feliz ano novo para todos os leitores do Chuteira Salto 15!
Lelei na área depois de um ano parado com todas as integrantes sem tempo para vir escrever nesse canto da Internet.
Vou tentar manter o blog atualizado das notícias internacionais, e o que melhor para começar o ano com a chuteira direita do que o exemplo de bons torcedores que a Inglaterra deu no último final de semana?

Chuva 1 x Campo 0

A história vem direto da BBC Sport:
” Os torcedores do Bournemouth (Segunda divisão) arrecadaram quase £3,000 (R$6.500) para ajudar os torcedores do Burton (Quarta divisão) viajarem ao jogo de substituição da Copa FA.
A data original teria sido no Sábado, e foi cancelado uma hora antes do apito inicial, por que o campo estava alagado.
Com o cancelamento vindo tão tarde, cerca de 200 torcedores do time de Burton viajaram 482 quilômetros à toa.
O torcedor e criador da campanha David Whitehead disse à BBC que “esse exemplo mostra que existe um outro lado do futebol”.
Whitehead criou uma página na internet após se lembrar da generosidade mostrada pelos torcedores de Burton quando os cerejas (Bournemouth) celebraram sua promoção da quarta divisão para a terceira divisão em 2010, no estádio Pirelli, em Burton.
“Eles foram tão amigáveis naquele dia, que temos um relacionamento especial desde então”, disse ele
No momento em que a matéria estava sendo escrita,£2,930 tinham sido arrecadados, mais de três vezes do que o objetivo de £800.
Whitehead ainda disse: “Estamos surpresos com a resposta, que veio não somente de Bournemouth, mas torcedores de outros clubes do país inteiro, e alguns até do exterior.
“Nós agora já temos o dinheiro para os ônibus, e pedimos para o técnico do Bournemouth nomear uma caridade para receber o dinheiro a mais que recebemos.”
O diretor do Bournemouth Jeff Mostyn disse: “É o gesto mais incrível e acredito que torcedores sendo tão generosos é algo improcedente no futebol.
“Quando fomos promovidos depois de anos de sofrimento, Ben [Robinson, diretor do Burton] e seu time, nos deixaram invadir o campo foi fenomenal.
“Seguranças são treinados para deixar a torcida longe do campo, mas eles também se juntaram às nossas comemorações, e nossos torcedores nunca se esqueceram disso.”

Então taí, dois exemplos a serem seguidos por mais torcedores ao redor do mundo, hein?

O povo quer saber, como comprar tickets na Inglaterra?

Vam’bora tirar a teia de aranha do blog? 🙂

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Fonte: Eu mesma! 🙂

Atendendo a pedido(s), vou explicar como funciona a venda de ingressos de futebol na Inglaterra. É complicadinho, mas espero conseguir deixar meio claro.

Então, o primeiro passo é saber como se tornar sócio. E sócio aqui é mais um “torcedor VIP” vamos dizer. Não  é o sócio que estamos acostumados no Brasil, com direito a usar a quadra de vôlei ou dar um mergulho na piscina. Na verdade aqui, time de futebol não tem nada a ver com Clube Esportivo como temos no Brasil. É um clube de Futebol, e é um clube onde só os jogadores podem jogar. Uns têm escolinhas, academias, times femininos, mas não é o clube na concepção do português.

Certo? Continuando. Então, para se tornar sócio, existem duas opções. Ou você é um sócio pela temporada toda, o que te dá direito a todos os tickets de todas as competições (chamado de “Season Ticket Holder”), ou você se torna um sócio simples (chamado de Team Member), que terá preferência para os jogos, antes de serem vendidos ao público não sócio. Os dois tipos de sócio normalmente têm que pagar uma anuidade.

A anuidade do Ticket Holder é meio proibitiva, mas inclui o preço de todos os tickets do ano todo, e quando o time joga em casa, a cadeira é cativa, ou seja reservada, e você pode abrir mão dela se não quiser ir. Alguns times vendem os tickets que os Ticket Holders não querem e te repassa o dinheiro da venda, outros, você tem que se virar.

Já a anuidade do Team Member é bem baratinha, às vezes até de graça, como é o caso do Southampton. É mais uma simbologia de que você realmente é torcedor do time. E a cada jogo que você escolher ir, paga o preço do ingresso. Agora, a pegadinha! A cada jogo que o Team Member vai, ele ganha pontos de fidelidade ao time. E esses pontos definem quais jogos ele terá prioridade para assistir. Isso faz com que fãs do time que acompanharam mais a temporada tenham prioridade sobre o pessoal que iria somente à semi-finais, finais, ou jogos com times grandes.

Por exemplo, pra gente conseguir ir no jogo do Barcelona em casa (fotinho aí em cima, e um dos melhores dias de jogos da minha vida) a gente foi a vários jogos da Premiership, da FA Cup, da League Cup e a todos da Champions League na fase de classificação daquela temporada. O dinheiro e o tempo valeram a pena, mas porque somos fã-naticos pelo Chelsea e adoramos ir debaixo de chuva, frio, Sol e vento ver os jogos.

Mas se você não mora aqui, se está só passeando pela Inglaterra, ou se não valeria a pena ser sócio do time, ainda há esperança! Tudo depende, do campeonato, do time que você quer assistir e se você quer ver “em casa” ou no outro time.

Normalmente, jogos de times de primeiro escalão e/ou Champions League e  Premiership só se conseguem se tornando sócio do time, já que FA CUP e League Cup (que agora se chama Capital One Cup) a não ser que seja semi-final ou final, você pode conseguir sem ter que se tornar sócio, mas se registrando como torcedor. (Deu nó saber qual competição é qual? Leia meu primeiro post explicando tudo aqui).

Mas todos os times concordam em uma coisa: melhor colocar um não sócio na cadeira, do que deixar ela vazia. E várias vezes eu vi torcedores de outros times na área do Chelsea ou do Southampton por causa dessa regra.

Toda vez que todas as prioridades: Season Holder > Team Member com x points > Team Member com menos de x points > Extra tickets para Team Members, ainda não vendem todos os ingressos, o time libera a venda para o público (chamada de General Sale). Daí é pra galera, pode comprar quem quiser!

Em pessoa, os ingressos são vendidos no estádio do time (no Ticket office), ou no site do time mesmo. Sempre vale a pena ir no estádio, já que eles vendem os tickets devolvidos pelos Team Members e Season Ticket Holders lá, o problema é que às vezes é jogo lotado, e a viagem é perdida.

Então, se você vier de turista ou não quiser se cadastrar como torcedor do time (e não quiser ingresso de cambista, uma outra opção sempre, mesmo aqui, mas caríssima) ficam as dicas:

> Cheque os jogos de classificação da Championship, da FA Cup e da League Cup, que sempre têm menos procura

> Acesse o site do time que você quer ver todos dias, porque quando a General Sale começa, normalmente acaba rapidinho.

> Se você tem amigo aqui, veja se ele já não é sócio do clube, ele ainda pega prioridade para não membros antes da General Sale, e se ele não quiser ir, ainda pode comprar o ticket pra você ir!

> Escolha times mais baixos na tabela, porque os torcedores deles não vão tanto aos jogos. E se fôr mandado de jogo do outro time, você terá ainda mais chances (o último jogo de Chelsea v Swansea estava vazio na área de Swansea, mesmo que era em Stamford Bridge, porque era longe pros torcedores deles virem de lá). Foi o que fizemos para o jogo Southampton v Chelsea. O mando era dos Saints, e não conseguimos ingressos pro lado do Chelsea (porque não estamos indo mais a tantos jogos esse ano pra economizar ££) mas pegamos do lado de Southampton facinho facinho!

Entenderam? Qualquer pergunta, só mandar aqui nos comentários!

Feliz 2013!

Não existe humildade em SP

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(Foto: Eduardo Viana)

O São Paulo apresentou um futebol medíocre na última quarta-feira, no Morumbi, diante da LDU de Loja, pela Copa Sul-Americana. Entretanto, o mau futebol e a classificação para as 4ªs de final com o empate em 0x0 foram ofuscados pela confusão entre o Rogério Ceni e Ney Franco.

Durante o segundo tempo da partida, o goleiro teria pedido insistentemente a entrada de Cícero. O técnico, por sua vez, não deu ouvidos e preferiu colocar Willian José. Rogério teria reclamado, Ney Franco teria mandando-o ficar quieto. E mais, na entrevista coletiva, pós jogo, disse que considerou a atitude do camisa #1 uma ingerência: “Não aprovo a atitude. Acho que é cada um na sua função, cada um na sua. Se achasse que o Cícero deveria entrar no jogo, ele entraria. Mas não aprovo essa atitude”, desabafou o técnico.

Na tarde desta quinta-feira, 25, o goleiro deu entrevista coletiva para tentar colocar panos quentes na situação.  Dentre outras coisas, ficou no mais do mesmo, colocou a culpa no calor do jogo e disse que só queria ajudar o clube a sair com a vitória. Além de desmentir o vice-presidente de futebol, João Paulo de Jesus Lopes, dizendo que não houve reunião depois da partida. E que só ficou sabendo na repercussão na própria quinta.

Acontece que futebol é um esporte coletivo. Não é errado um jogador dar sua opinião e sugerir um esquema tático ou uma mudança no time. O problema é a forma como isso é feito e a frequência. Já não é a primeira vez que Rogério dá mostras de interferência no trabalho dos técnicos que passam pelo São Paulo Futebol Clube. Em 2010, quando o interino Sérgio Baresi estava no comando tricolor, o goleiro colocou Cleber Santana no jogo. O meia estava aquecendo atrás do gol e o foi chamado pelo próprio Rogério. Em 2011, na passagem de Emerson Leão, o camisa #1 deu conselhos ao zagueiro Paulo Miranda, dizendo que as coisas iriam melhorar quando o técnico fosse trocado.

Fora que, esbravejar dentro de campo, com várias câmeras em volta e na frente de mais de 15 mil pessoas não é maneira correta de tentar corrigir algo. A conversa deveria ter acontecido no vestiário, durante o intervalo. Ou ao menos, o goleiro poderia ter sido discreto, ter chamado o lateral direito ou um zagueiro e pedido para que levassem sua sugestão a Ney Franco.

Indo mais longe, Rogério, que é um jogador inteligente e macaco velho do futebol, se fez de vítima, de inocente. Os mais de 20 anos de carreira são suficientes para saber o que gera ou não ibope. Impossível se dizer surpreendido com a repercussão do episódio.  Errou e não foi humilde o suficiente para reconhecer – e se acha que não errou, o equívoco é duplo. É aqui que está o problema.  Agora a bomba está no colo do técnico: se, de repente, os resultados não vierem nas próximas partidas, pode ser que Ney Franco sinta-se pressionado.

O futebol singular de Nelson Rodrigues

Para o cronista, mais importante que o gol era o adjetivo no lugar correto.

Foto retirada da internet

Tudo leva a crer que Nelson Rodrigues estava mesmo predestinado a ser o gênio da crônica e do teatro nacional. Mais do que isso, seu estilo único está explicito também nos textos esportivos. Assim como a maioria dos brasileiros, Nelson era também um apaixonado pelo futebol e, mais ainda, pelo Fluminense Football Clube.

Ele sobrelevou-se do exemplo que tinha em casa, como afirma o jornalista e escritor Ruy Castro, autor de O Anjo Pornográfico: “Nelson sofreu a influência de seu irmão Mario Filho, que foi o pai da crônica esportiva no Brasil. Mas o superou”. Em seus textos, pouco importava o relato fiel ao jogo, minuto a minuto. O resultado, os esquemas táticos e os detalhes técnicos ficavam sempre em segundo plano.

Seu propósito era muito maior. Queria expressar com as letras a dimensão que o esporte possuía para seus amantes. Por isso, suas crônicas, que normalmente já eram lotadas de exageros e hipérboles, tornavam-se ainda mais exageradas e hiperbólicas quando esportivas. Por suas próprias palavras: “Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola. A mais sórdida pelada é de uma complexidade shakespeariana. Às vezes, num córner bem ou mal batido, há um toque evidentíssimo do sobrenatural”.

Entretanto, uma coisa não se pode negar: Nelson era bastante otimista. “Para ele, o Fluminense e a Seleção Brasileira iriam ganhar sempre. Neste momento, ele teria motivos para estar satisfeito com o Fluminense, que está jogando muito, e nenhum para estar com a Seleção, que está jogando nada”, ressaltou Ruy Castro, trazendo à tona o atual momento do futebol nacional.

Ainda nesse contexto, do cenário recente do futebol tupiniquim, vale lembrar que no ano de 2009: o Fluminense quase foi rebaixado do Campeonato Brasileiro, mas sagrou-se campeão no ano seguinte. Justificando a seguinte frase do Nelson: “Eu vos digo que o melhor time é o Fluminense. E podem dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos”.

Acontece que, além do seu grande legado, como não poderia deixar de ser, Nelson deixou seguidores, como, por exemplo, o também jornalista e cronista Xico Sá: “A minha crônica esportiva só existe porque sou leitor, afilhado, fã, devoto e todo dia acendo uma vela para o tio Nelson, como o chamo nas crônicas. Tento trazer para os dias de hoje o romantismo da crônica dos tempos rodrigueanos. Nem sempre consigo, mas a ideia é tentar sempre esse caminho”, afirma.

E para Xico, seria dessa falta de paixão que Nelson sentiria falta nos textos futebolísticos atuais. Restando apenas algumas poucas saídas como o futebol de várzea e donos da bola como Neymar: “Ele continuaria dizendo que o Fla x Flu começou antes de Deus criar o mundo. Continuaria apostando que o Fluminense brilha como o maior do infinito. E ainda inventaria algum personagem do povão que hoje torce pelo Flu. Mas acho que estaria esbravejando com a falta de romantismo do futebol. Restaria ao Nelson o futebol da várzea, os feitos épicos dos pequenos times e os poucos gênios como o Neymar”, finalizou.

Obs: Texto escrito para a matéria de Jornalismo Especializado da Faculdade Cásper Líbero. 

Quando a paixão é sem tamanho: Chelsea na final da Champions League.

Hoje eu tenho que deixar o lado “jornalista imparcial” de lado. Ainda tentei deixar o coração esfriar depois da vitória vangloriosa sobre os imortais espanhóis do futebol. Mas mesmo depois desse tempo todo, a pele ainda arrepia, a palpitação toma conta e os olhos lacrimejam de alegria.

A aventura começou em Stamford Bridge, jogo ao qual conseguimos ingressos pelo milagre da fidelidade. Começamos (a torcida) cabisbaixos, tapando um olho com a mão, temendo a goleada que qualquer previsão tinha como certa. As dores de barriga estavam em todos os torcedores, que ainda boquiabertos por termos segurado Barcelona por 45 minutos (com a ajuda do Anjo Azul, que manteve tentativas do Barça não além da trave), explodimos em alegria com o gol de Didier, impossível, improvável e ainda assim, real. As estatísticas dessa vez mentiram, e quem diria foi desmentida durante o segundo tempo também.

Fonte: BBC (Posse, Chutes a Gol, Chutes no gol, escanteios, faltas)

Contra o jogo cai-cai dos espanhóis, saímos felizes da Bridge, comemorando como se tívessemos ganhado a taça, aliás, a alegria era maior que essa, era como se tívessmos ganho a Copa do Mundo!

Seis dias depois, foi o dia de encararmos os gigantes novamente. Eu tinha aula de piano então perdi os primeiros 20 minutos de jogo que ficou em “pausa” até eu voltar da aula. Quinze minutos do jogo “recomeçado” , primeiro Gol de Iniesta afundou os corações, mas a atitude de eu sabia, não tem problema, eu sabia não nos deixou ficar triste.

Terry sendo Terry, perdeu a cabeça deu o chutão e deixou a galera na mão, e agora Marquinho?

Mas o que entristeceu mesmo foi o segundo Gol dos invencíveis, 8 minutos depois. Começou a discussão em casa que eu dava azar e iria mudar de cômodo pra parar a palhaçada. Torcedor de futebol é coisa que nem Freud explica. Até as chances de classificação se acabarem mesmo, era claro que iríamos perder de goleada, como escapar do destino jogando na cada dos deuses absolutos? Mas dois gols seguidos em 8 minutos e ou time é rídiculo ou nós que damos azar.

Mr. W me convenceu que se eu não assistisse ele não ia assistir também, e aceitamos ficar quietos vendo a queda do sonho azul, conformados. Isso tudo no intervalo de 2 minutos que levou para o excelente Ramires (quem eu costumava falar que tinha que ser vendido, mas isso é história pra outro post) marcar o golaço xuá nas redes dos espanhóis.

Tivemos mais uma dose do Anjo Azul nas traves de Chelsea fazendo hora extra, e Messi manteve sua “maldição” de nunca ter marcado contra Chelsea e mandou a bola lá pra Madrid na hora do penalti. A esperança ainda estava viva.

A irmã que está no Brasil, e que não entende lá essas coisas de futebol (assunto pra outro post também) liga querendo falar algo mas eu desligo rapidinho explicando que aqui, o jogo está atrasado.

O lindinho Torres entra em troca de Drogba, aos 80 minutos, e com o mundo nas costas, marca o gol – no último minuto, claro – que  faz dois loucos num canto da Inglaterra gritar e pular 20 minutos atrasados comemorando a vitória suada, improvável, merecida e histórica. Os dois louquinhos continuariam pulando por mais uma semana, sem acreditar que testemunharam a história com seus próprios olhos, e vestindo a camisa do time que realizou tamanho fado.

Mais uma vez as estatísticas mentiram, e ninguém aqui reclamou =)

Fonte: Sky Sports
Barcelona Team Statistics Chelsea
2 Gols 2
6 Chutes no Gol 3
10 Chutes a Gol 4
7 Chutes bloqueados 0
10 Escanteios 1
8 Faltas 10
1 Impedimentos 1
2 Cartões amarelos 6
0 Cartões vermelhos 1
90.2 Passes corretos (%) 64.8
18 Carrinhos 24
88.9 Carrinhos em que a bola foi roubada 70.8
82.5 Posse 17.5
81.7 Vantagem de espaço 18.3
745 Totall de passes 145
25 Cruzamentos 2
134 Bolas roubadas 128

Notinhas do dia do segundo jogo, pra tentar não esquecer tudo que tinha pra falar =)

Mas emoção e relatos de fora, o que foi que deu o lugar do Chelsea na final? Obviamente uma defesa impenetrável. Uma tática de fechar todas as portas e a exatidão na hora de marcar. Não temer o adversário, manter a cabeça erguida, o foco ligado.

Di Matteo foi genial ao perceber que Barcelona não manda o chutão de fora da área como fazem aqui na terra da Rainha. Se eles não conseguissem entrar, não marcariam, e não passariam de fase. Claro que as bolas na trave, o penalti perdido ajudaram. Mas o fato de Chelsea ter tido uma temporada de altos e baixos, de ter que levantar e sacudir a poeira lhes deu a vantagem de saber como lidar com a frustração de encarar um jogo que estava perdido, e virar a mesa. O famoso “parking the bus” (estacionando o ônibus) criado por Mourinho, foi exatamente o que Chelsea precisava.

A tática cai-cai dos espanhóis não conseguiu muito resultado com os juízes excelentes escalados para os jogos. As chances de cobrança de falta driblando não aconteceram muito e Barcelona foi vítima de seu próprio modo de jogo, por não serem muito flexíveis nas táticas, Chelsea entrou em campo pra jogar feio na retrancada, mas de forma efetiva e competente.

Agora que venha Bayern Munich no sábado, e já que eles estão classificados pra Champions League do ano que vem, bem que podiam deixar os Blues ganharem pra voltarem o ano que vem né? 😉

** Vídeos que a Sky colocou na TV no final do segundo jogo. Duvido que não dê uma arrepiada **

Corinthians sofre com falha de Júlio César pelo terceiro ano consecutivo

Julio César saindo de campo depois da derrota contra a Ponte Preta (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

Uma, duas, três vezes. Por conta das falhas diante da Ponte Preta (3×2), que levaram a desclassificação do time no Campeonato Paulista de 2012, Julio César, goleiro do Corinthians, pode perder a posição de titular. E apesar de ter crédito com o torcedor, os erros não são fatos isolados.  Em 2010 e 2011 ele também atrapalhou o Timão na conquista de títulos.  

Em entrevista coletiva, na tarde dessa quarta-feira, 25/04,  Júlio explicou os dois lances diante do time de Campinas. O primeiro, uma cobrança de falta aos 12 minutos do primeiro tempo, foi fruto de uma decisão errada: “se vou para espalmar seria lance simples”, explicou o goleiro que tentou encaixar a bola.  

Já o segundo lance, aconteceu no final do segundo tempo.  Na ‘pilha do jogo’, o camisa #1 foi displicente ao bater o tiro de meta. A bola explodiu nas costas do zagueiro Leandro Castán e Rodrigo Pimpão fez 3×1 para a Macaca. “Coloquei a bola no chão e quis chutar de qualquer jeito, e de qualquer jeito não dá certo. Quis ganhar quatro segundos e fiz a coisa errada”, admite Júlio César.

O técnico Tite eximiu o goleiro da culpa, dizendo que o time inteiro não rendeu o esperado. Mas, não garante o goleiro no próximo jogo diante do Emelec, pelas oitavas de final da Libertadores. “Não tem nada decidido. Ele é um jogador, tal qual Cássio e Danilo Fernandes, que será avaliado seu momento técnico, com todos é assim”, afirmou.

Júlio respeita a decisão do técnico, mas quer dar a volta por cima e jogar contra o time equatoriano: “errei em dois gols, quando não podia, mas não acho que estou mal. Respeito a decisão que vai tomar. Deixa para ele resolver”, declarou.

As outras falhas do goleiro:

  •  Campeonato Brasileiro 2010 – Goiás e Corinthians – 05/12/2010 – 38ª rodada

O Corinthians empatou em 1×1 contra o time reserva do Goiás, caiu para o terceiro lugar e teve que encarar a pré-Libertadores, diante do Tolima. Depois de uma saída de bola errada do goleiro Júlio César, a bola sobrou para Felipe Amorim, que chutou de longe e abriu o placar para a equipe de Goiânia.  O empate veio com Dentinho aos 28 minutos.

  • Campeonato Paulista 2011 – Santos e Corinthians – 15/05/2011 – Final

 

Foi um jogo dramático na Vila Belmiro. O placar final foi de 2×1 para o Santos, que abriu dois gols de vantagem. O primeiro de Arouca aos 16 minutos do primeiro tempo. A falha de Júlio César aconteceu no gol do Neymar aos 38 minutos da etapa complementar. O menino de ouro da Vila entrou na área e bateu cruzado, a bola passou por entre as mãos do goleiro Júlio César e morreu no fundo da rede. Aos 41 minutos Morais diminuiu para o Corinthians, mas não impediu a festa dos santistas. 

Confronto entre torcidas organizadas é consequência do descaso

No último final de semana, domingo,  dia do derby Corinthians e Palmeiras, houve um confronto entre membros da Gaviões da Fiel e da Mancha Verde. Marcada pela internet, a briga aconteceu longe do estádio em que partida seria disputada e resultou na morte de dois integrantes da torcida palmeirense. Diante disso, a Federação Paulista de Futebol resolveu proibir a entrada das torcidas envolvidas nos estádios de São Paulo.

Capa do Jornal Lance! de 27 de março de 2012

Chega a ser revoltante, pois de nada adianta tal medida. Afinal, o que se vai probir são uniformes, faixas e instrumentos que levem a identificação. Os torcedores e/ou vandalos continuarão nas arquibancas e as autoridades a fingir que trabalham. Por isso, em momentos assim, cabe aos grandes veículos de comunicação, evidenciar isso ao público, bater de frente e dizer que não está certo.

E foi isso que o LANCE! fez. Trouxe um editorial de capa, mostrando o descaso das autoridades competentes para com o esporte e seus admiradores; e resumindo o sentimento daqueles que também discordam da decisão imposta.  Sendo assim, reproduzo abaixo, um trecho do editorial.

Basta querer

É lamentável dizer, mas as autoridades de segurança de São Paulo são coniventes com a barbárie em que se transformou a relação entre as organizadas dos grandes clubes do estado, e que resultou agora na batalha campal na Avenida Inajar de Souza, uma das principais vias da Zona Norte da capital. O problema da violência, todos sabem, não é novo.

Como não é nova a forma com que os governos – e junto deles, as federações esportivas e o Ministério Público – reagem aos fatos. Desta vez, como das outras, o discurso é o mesmo: banir as organizadas dos estádios, proibir Mancha e Gaviões de existirem. Atitudes absolutamente paliativas, como a decisão esdrúxula de proibir o torcedor de levar bandeiras, de vetar o consumo de bebidas alcoólicas. Em determinado momento, até as bexigas foram vetadas pela polícia.

O verdadeiro trabalho investigativo, contudo, que poderia pôr fim ao vandalismo, está longe de ser realizado. Essas guerras de facções são facilmente rastreadas. São marcadas na internet. Nas páginas 6 e 7, este LANCE! Conta os antecedentes que culminaram nos episódios de domingo. Boa parte deles conhecida por qualquer torcedor. Mas ignorados ou relevados por quem tem a responsabilidade de garantir a ordem pública e colocar na cadeia quem desafia a lei.

Custa infiltrar policiais nessas gangues? A polícia fez isso para chegar aos corinthianos que incendiaram um carro de escola rival na apuração do Carnaval deste ano. Prova cabal de que, quando se cumpre com o dever, os resultados aparecem. Sem falar no uso dos recursos tecnológicos, o rastreamento dos sites criminosos, a adoção de equipamentos de reconhecimento facial, que, em locais estratégicos das cidades, poderiam tirar definitivamente das ruas, e não só dos estádios, esses marginais.

Parabéns ao Lance! E toda a sua equipe!

Você gosta de clássico? O Jorge Henrique também!

De virada, Corinthians tira a invencibilidade do Palmeiras. E mantém o tabu: desde 1995 o time alvinegro não perde para o rival dentro do Pacaembu.

Jorge Henrique foi contratado em 2009 e é o motorzinho da equipe do Corinthians. (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Como definiria Ronaldinho Gaúcho: jogo é jogo. Clássico é clássico. Além dos torcedores, os jogadores parecem mais motivados para partidas desse tipo. E na tarde desse domingo, foi escrito mais capítulo da história do derby paulista – que segundo a CNN é o nono maior clássico do mundo. Com dois gols em 6 minutos, algumas provocações e muita vontade o Corinthians venceu o Palmeiras por 2×1, diante de 30 mil pessoas.

 Os dois times entraram em campo com bastante vontade e o jogo começou movimentado, com boas chances para ambos os lados.  Entretanto, com as bolas de Marcus Assunção, o Palmeiras chegava com mais perigo. E foi com ele, num chute de fora da área, que o time palestrino abriu o placar, aos 17 minutos.

E o placar 1×0 deixou o jogo mais nervoso: algumas entradas mais fortes, bate-bocas e até mesmo briga. Num choque entre Liédson e Deola, houve um principio de confusão generalizada. Jorge Henrique e Cicinho trocaram socos e o juiz não viu. Leandro Cástan e Barcos também se estranharam. O árbitro do jogo, Marcelo Rogério, puniu, com cartão amarelo, o camisa #9 do Corinthians e encerrou a discussão.

Acontece que o time alvinegro só precisou de 6 minutos da etapa complementar para virar a partida e desestruturar o adversário. E o mais irônico é que os dois gols foram originados de cobranças de falta e as duas batidas por Jorge Henrique.  A primeira aos 3 minutos, a bola bateu na mão de Márcio Araújo e sobrou para Paulinho que bateu forte. A segunda, aos 6 minutos, também na meia direita e também com falha do Márcio Araújo, que tentou cortar a bola, mas fez contra.

Jorge Henrique, alias, é aquele típico jogador que faz o clássico ter mais sabor. É marrento e provocador, dá dribles desconcertantes e faz gracinhas para a torcida. Faz o adversário perder a cabeça, mas tudo dentro da lealdade.  Hoje quase provocou a expulsão do zagueiro Henrique, já na última partida do Campeonato Brasileiro foi pivô de confusão quando imitou o chute no vácuo do atacante palmeirense, Valdivia.

Depois da virada repentina, o time do Felipão não conseguiu reagir. As jogadas não saiam e o time quase não ofereceu perigo ao gol do Júlio César, a não ser pelos minutos finais em que se cavou algumas faltas perto da área. Já o Corinthians criou boas jogadas pelo lado esquerdo do campo, principalmente com as decidas de Emerson Sheik, chegando à linha de fundo e cruzando pra dentro. Entretanto, o problema com a finalização persiste e os meninos do técnico Tite não conseguiram ampliar o placar.

Num jogo em que Jorge Henrique e Marcus Assunção foram os personagens principais, o Palmeiras perdeu a invencibilidade de 21 jogos e segue há 17 anos sem ganhar do maior rival dentro do Paulo Machado de Carvalho. E o Corinthians segue mostrando segurança e grande controle emocional.

Dança das cadeiras: Os diligentes ingleses e seus técnicos

Como não comentar a notícia que surpreendeu poucos, André Villas Boas demitido do Chelsea depois da derrota contra o West Brompton e de somente doi terços  da temporada no comando dos Blues?
Desde que Mourinho foi demitido do clube por não concordar com o dono Abramovitch em 2007, Chelsea teve 5 técnicos que duraram relativamente pouco tempo chefiando o grupo de estrelas montado por Roman.

Avram Grant: Set 2007 to Maio 2008
Luiz Felipe Scolari: Jul 2008 to Fev 2009
Guus Hiddink: Fev 2009 to Maio 2009
Carlo Ancelotti: Jun 2009 to Maio 2011
Andre Villas-Boas: Jun 2011 to Mar 2012

Tá rindo de quê? Fonte: Sportige

Na minha opinião, o momento que a demissão aconteceu não poderia ter sido mais errado! Deveria ter acontecido no começo da temporada, quando o time já estava mostrando sinais de problemas, ou no final da temporada, depois que AVB tivesse mostrado todas as suas cartadas

No fundo eu concordo que AVB não estava funcionando com o time. Suas constantes substituições ao final dos jogos traziam consigo o empate, ou pior ainda, a derrrota e ninguém nunca entendeu direito o que é que estava se passando pela cabeça do Português. Ele não conseguiu administrar egos, não conseguiu implementar seu plano de jogo, e perdeu o apoio dos jogadores e da torcida.

Mas o problema é justamente esse. Desde que Special One (Mourinho) foi demitido, o Chelsea tem sido um time fraco, e apesar de conseguir alguns títulos e qualificações para a Champions League, esses resultados vieram sofridos, no sufoco e suador. É um time desunido, devagar, sem concentração, sem foco e sem objetivo.

A mudança constante de técnicos, e com ela a mudança constante de táticas, mais a interferência de Abramovitch ditando quais jogadores devem ser comprados pelo time (a exemplo de Torres) deixou Chelsea perdido, sem saber muito bem onde sua força está.

Agora, entrando em pânico por estar fora da qualificação para a Champions League, Roman manda embora o homem que trouxe na esperança de ser o salvador da pátria. Como torcedora do Chelsea, espero que Mourinho tenha feito as pazes com os chefões e à casa retorne. Ele pareceu ser o único que conseguiu formar a unidade em um time de poupança gordas.

Por enquanto, Roberto Di Matteo assume o posto, e mordendo a língua tenho que confessar que sua injeção de ânimo, sua paixão pelo clube e amizade com os jogadores tem merecimento. Chelsea voltou a ganhar, a jogar como um time unido. Até Torres voltou a marcar gols!

Dizem as más línguas que quem manda no time é o trio Lampard-Terry-Drogba. E se fôr? Me parece que eles entendem como o time funciona, como dá resultados, e os fortes e fracos dos jogadores sem precisar de um chefão ditando regras, trocando posições e que mexe em time que tá ganhando.

Promete que nunca vai pegar o meu lugar se me mandarem embora? Fonte: GettyImages

Claro que outro time que sofreu uma perda menos divulgada, foi o Wolverhampton Wolves. Meu técnico favorito, o Irlandês  Mick McCarthy  foi enxotado do clube depois de derrotas seguidas. Diferente de Chelsea, ninguém entendeu muito bem a decisão dos dirigentes. Wolves estava perdendo, mas não por culpa do técnico, a culpa é do dinheiro que Wolves não tem pra comprar jogadores bons para se manterem no grupo de elite. McCarthy fez o que podia e mais um pouco para manter o time se agarrando à Premier League, mas o nível simplesmente não está lá.

O emprego foi recusado por dois técnicos, e um terceiro foi recusado pelo clube. O time foi entregue, assim como no caso de Chelsea, nas mãos do assistente técnico, mas os resultados foram diferentes. Sob Terry Connor, Wolves continua perdendo, os jogadores que adoravam Micky decepcionados estão mais perdidos ainda, atingiram último lugar na tabela e são quase aposta certa para o rabaixamento.

"Queremos Kean fora!" Vai ficar querendo! Fonte: Daily Mail

A dança das cadeiras continua, mas acreditem ou não, esse ano está sendo bem mais lenta que em anos anteriores, quando quem ditava quem ficava ou saía eram os torcedores, com uma meia dúzia de faixa protestando o “burro” no comando.

Exemplo disso é o Blackburn Rovers, com Steve Kean. Ainda no comando depois de semanas dos torcedores fazendo birra (até helicóptero foi alugado pra passar a faixa de protesto), e mesmo estando neste ponto da temporada 6 posições abaixo do ano passado, continua em seu posto firme e forte.

Seria mesmo caso de política ou competência?

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Uma atualização no post anterior:

Huntelaar já voltou a jogar e a golear depois da lesão contra a Inglaterra. Smalling voltou a jogar no Domingo passado.

No caso de Fabrice Muamba do Bolton, que sofreu uma parada cardíaca em campo contra o Tottenham, ele mostra sinais de melhoria, respirando e coração funcionando fora dos aparelhos e movimentando braços e pernas. Graças ao trabalho fenomenal do suporte médico em campo, com certeza!